A música instrumental tem uma linguagem própria, e a maneira como esta linguagem se manifesta podemos chamar de “linguagem sonora”. Por conseguir se manter por si só, sem precisar, a princípio, de suportes extra-musicais – digo a principio, pois no século XIX surgem diversos tipos de música puramente instrumentais, como a sinfonia de concerto, o poema sinfônico, a abertura de concerto entre outras, que utilizam como suporte à forma textos literários – este tipo de linguagem passou a ser designada como “música absoluta”.
Entender a linguagem sonora não é tarefa difícil, e qualquer pessoa pode desfrutar de todas as coisas que a música absoluta pode nos oferecer. Dividirei aqui a maneira de apreender a música instrumental em dois níveis: o primeiro é aquele que qualquer pessoa é capaz de entender, inclusive aquelas que não estudam música.
O primeiro passo, nisto que chamo de primeiro nível de entendimento, é perceber que ela pode ser dividas em frases musicais – semelhante às frases da fala. Cada frase termina com algum tipo de pontuação. A sensação que podemos ter nestas pontuações, que chamamos de cadência, podem ser dividas em dois tipos: uma sensação de suspensão, semelhante à uma interrogação da linguagem falada; ou uma sensação de repouso ou conclusão, que pode ser semelhante a uma vírgula, pedindo assim uma continuação, ou semelhante a um ponto final.
Entendido isto, o próximo passo é entender o que chamamos de “forma musical”, ou seja, a maneira como o compositor organiza as idéias musicais. Com um pouco de prática o ouvinte irá perceber que as diversas formas musicais são bastante recorrentes.
Assim que o ouvinte estiver acostumado a perceber a forma e as frases musicais, ele estará preparado para perceber o nível mais profundo onde alguém que não estuda música pode chegar: perceber como o compositor trabalha os motivos musicais. Motivos são como palavras que o compositor usa para construir suas frases musicais.
Bons compositores conseguem dizer muitas coisas com poucas palavras. Beethoven por exemplo, constrói sua Quinta Sinfonia inteira com um motivo de três notas (o marcante motivo de três notas que abre a sinfonia).
Este primeiro nível de entendimento musical é suficiente para qualquer pessoa usufruir tudo o que a música absoluta tem a nos dizer.
O segundo nível de entendimento da linguagem da música absoluta é um entendimento mais profundo, e obrigatório para qualquer pessoa que estuda música: o nível estrutural. Entender a estrutura musical é fundamental para uma correta interpretação, tanto em nível instrumental quanto em regência, para quem pretende seguir a carreira de composição e também para quem pretende seguir carreira pedagógica (licenciatura).
O estudo deste segundo nível envolve as seguintes matérias: teoria musical, percepção, harmonia, análise e contraponto, além de uma destreza com partituras musicais e conhecimento profundo de repertório.
Esta série de artigos vem para debater a linguagem sonora da música absoluta, conciliando questões históricas, estéticas e técnicas para ouvintes e músicos interessados neste tipo de repertório. Abrindo a série, farei uma abordagem histórica do momento em que a música instrumental cresce na mesma importância da música vocal, até sua emancipação como linguagem e a fixação dos primeiros gêneros puramente instrumentais. No próximo artigo, será feito um debate de quando as pessoas e pensadores aceitam a música absoluta como linguagem, apesar desta já estar independente há alguns anos. Boa leitura e volte sempre!
Entender a linguagem sonora não é tarefa difícil, e qualquer pessoa pode desfrutar de todas as coisas que a música absoluta pode nos oferecer. Dividirei aqui a maneira de apreender a música instrumental em dois níveis: o primeiro é aquele que qualquer pessoa é capaz de entender, inclusive aquelas que não estudam música.
O primeiro passo, nisto que chamo de primeiro nível de entendimento, é perceber que ela pode ser dividas em frases musicais – semelhante às frases da fala. Cada frase termina com algum tipo de pontuação. A sensação que podemos ter nestas pontuações, que chamamos de cadência, podem ser dividas em dois tipos: uma sensação de suspensão, semelhante à uma interrogação da linguagem falada; ou uma sensação de repouso ou conclusão, que pode ser semelhante a uma vírgula, pedindo assim uma continuação, ou semelhante a um ponto final.
Entendido isto, o próximo passo é entender o que chamamos de “forma musical”, ou seja, a maneira como o compositor organiza as idéias musicais. Com um pouco de prática o ouvinte irá perceber que as diversas formas musicais são bastante recorrentes.
Assim que o ouvinte estiver acostumado a perceber a forma e as frases musicais, ele estará preparado para perceber o nível mais profundo onde alguém que não estuda música pode chegar: perceber como o compositor trabalha os motivos musicais. Motivos são como palavras que o compositor usa para construir suas frases musicais.
Bons compositores conseguem dizer muitas coisas com poucas palavras. Beethoven por exemplo, constrói sua Quinta Sinfonia inteira com um motivo de três notas (o marcante motivo de três notas que abre a sinfonia).
Este primeiro nível de entendimento musical é suficiente para qualquer pessoa usufruir tudo o que a música absoluta tem a nos dizer.
O segundo nível de entendimento da linguagem da música absoluta é um entendimento mais profundo, e obrigatório para qualquer pessoa que estuda música: o nível estrutural. Entender a estrutura musical é fundamental para uma correta interpretação, tanto em nível instrumental quanto em regência, para quem pretende seguir a carreira de composição e também para quem pretende seguir carreira pedagógica (licenciatura).
O estudo deste segundo nível envolve as seguintes matérias: teoria musical, percepção, harmonia, análise e contraponto, além de uma destreza com partituras musicais e conhecimento profundo de repertório.
Esta série de artigos vem para debater a linguagem sonora da música absoluta, conciliando questões históricas, estéticas e técnicas para ouvintes e músicos interessados neste tipo de repertório. Abrindo a série, farei uma abordagem histórica do momento em que a música instrumental cresce na mesma importância da música vocal, até sua emancipação como linguagem e a fixação dos primeiros gêneros puramente instrumentais. No próximo artigo, será feito um debate de quando as pessoas e pensadores aceitam a música absoluta como linguagem, apesar desta já estar independente há alguns anos. Boa leitura e volte sempre!
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